“O primeiro último beijo” conta a história de amor de Ryan e Molly, de como eles se encontraram e se perderam diversas vezes ao longo do caminho. Na primeira vez em que eles se beijaram, Molly soube que ficariam juntos para sempre. Seis anos e muitos beijos depois, ela está casada com o homem que ama. Mas hoje Molly percebe quantos beijos desperdiçou, porque o futuro lhes reserva algo que nenhum dos dois poderiam prever…
Esta história comovente, bem-humorada e profundamente tocante mostra que o amor pode ser enlouquecedor e frustrante, mas também sublime. Na mesma tradição de P.S. Eu Te amo e Um Dia, O Primeiro Último Beijo vai fazer você suspirar e derramar lágrimas com a mesma intensidade.

Número de Páginas: 448
Autora: Ali Harris
Editora: Verus
Idioma: Português
Livro cedido em parceria com o Grupo Editorial Record

Primeira Metade: 
Segunda Metade: 
Fiquei com muita dificuldade de avaliar esse livro, por isso resolvi dar notas diferentes para cada metade dele. Quando falo metade, não é exatamente metade das páginas, mas uma divisão aproximada da vida da protagonista. Nessa resenha vou tentar explicar melhor o porquê disso.

O livro nos conta a história de amor entre Molly e Ryan, sob o ponto de vista dela. Molly é uma garota apaixonada por fotografia e viciada em fazer listas. Sua única companhia além da câmera é sua amiga, Casey. Ryan, pelo contrário, é o garoto mais popular da cidade. Eles se conheceram ainda adolescentes e em meio a encontros e desencontros, construíram um relacionamento. Logo no começo, porém, ficamos sabendo que eles não estão mais juntos, mas o motivo não é revelado. 
A narrativa não é linear, os capítulos alternam entre o presente e diversos passados distintos da vida de Molly e foi aí o primeiro ponto negativo na minha opinião. Não o fato dos tempos serem alternados, mas sim a maneira como isso é feito. Uma hora você está lendo sobre algo que aconteceu em 2001, depois 2005, 1994, 2002, 2007....e é um vai e volta sem fim. Demorei muito para conseguir situar cada acontecimento da vida dela nos anos e meses correspondentes. Era fácil identificar e distinguir o período em que Molly era adolescente, porém o intervalo entre os anos 2000 foi complicado.
Além disso, a autora demorava tanto para retomar alguns trechos da história, que quando o fazia, já não lembrava mais direito o que tinha acontecido anteriormente. E por isso tenho que tomar muito cuidado ao falar praticamente sobre qualquer ponto da história, porque os fatos são revelados tão aos poucos e quase que aleatoriamente, que tenho receio de contar algum spoiler.

Achei os personagens um pouco rasos e o desenvolvimento da maioria deles é bastante focado nas características físicas, o que eu acho meio frustrante. Praticamente em todos os capítulos havia a descrição da aparência de um personagem, a mesma que você tinha acabado de ler algumas poucas páginas atrás. Eu sei que o Ryan é loiro, forte, bronzeado com os olhos da cor do mar e vou continuar sabendo no próximo capítulo, a não ser que eu tenha perda de memória recente.
E somados a essa repetição desnecessária, estão os esteriótipos mais que batidos: o cara mais lindo e popular da cidade que se interessa sem nenhum motivo aparente pela menina insegura e excluída, que se sente grata e totalmente realizada com isso. E depois ainda temos a melhor amiga burra e linda, que sai com todos os caras, mas não consegue nenhum namorado. Não sei nem quantas vezes já vi esse conjunto de personagens se repetir.

Meu queixo cai. Tenho certeza que estou babando. Estou sem palavras pela primeira vez na vida. Ele me ama! Logo a mim! A leprosa social, com um péssimo corte de cabelo e ar de desafio! Eu! A menina cuja câmera era sua melhor amiga até a Casey aparecer. A garota que tinha certeza de que seu primeiro beijo foi uma aposta humilhante. A menina que nunca pensou que ia ficar com o cara.


Em vários momentos da sua vida adulta, Molly fica conversando com seu insuportável "eu de quinze anos", como se buscasse sua aprovação em relação à vida que ela leva, principalmente no que diz respeito ao relacionamento. Eu achei isso um tanto problemático, já que a tendência de quando ficamos mais velhos é amadurecer e mudar nosso jeito de pensar em relação a muitos aspectos. Acredito que sua essência permaneça a mesma, mas não dá para viver a vida como se fosse uma adolescente para sempre.

Porém, não só de pontos negativos é feita a minha opinião em relação a essa leitura. Eu consegui gostar da Molly no final dos seus 20 anos (depois de ter passado metade do livro revirando os olhos para o comportamento dela). Talvez isso tenha acontecido pelo fato de eu ser chata ou velha (ou as duas coisas), mas eu não consegui criar nenhuma empatia com a personagem antes.

Num primeiro momento, fiquei brava com o motivo que explica o porquê da Molly não estar mais com o Ryan e já desconfiava que isso iria acontecer antes da autora fazer a revelação. Porém, achei que esse acontecimento e seus desdobramentos foram muito bem desenvolvidos e acabei mudando um pouco minha opinião. A partir dele, a história torna-se muito mais profunda e envolvente, o que me fez ler praticamente de uma vez só.

Durante todo o livro, Molly fala de uma maneira reflexiva sobre os beijos mais significativos da sua vida e essas partes foram as minhas preferidas.
 
Apesar da minha relação conturbada com esse livro, reconheço que ele tem partes realmente boas, uma pena que elas ficam escondidas em meio a clichês e mais do mesmo. 

- Amar alguém significa saber que você não vai ser feliz o tempo todo, que ninguém pode fazê-la feliz o tempo todo. Essa é uma expectativa totalmente irreal. E às vezes, em um casamento ou em um relacionamento longo - ela faz uma pausa, e sei que está dirigindo essa parte da conversa a mim -, você precisa aprender isso.