Resenha: ratos

by - janeiro 17, 2016


Esse livro me indignou tanto que essa vai ser a primeira resenha que faço com spoilers (mas eles estarão separados do resto da resenha) porque eu preciso desabafar de alguma forma hahaha. E como eu não conheço ninguém que leu para conversar sobre, falarei aqui.

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Shelley é uma garota de 15 anos que vive apenas com a mãe. Ambas são ratos, mas não literalmente falando. Ela mesma as descreve dessa forma devido a sua passividade. Nenhuma delas nunca reage a nada e aceitam tudo que as outras pessoas impõem a elas, por mais prejudicial e humilhante que seja. 

Todas nós dividíamos um elo secreto, que eu chamava, ironicamente, de sociedade dos ratos. Eu gostava de me divertir imaginando o brasão que usaríamos no peito - um rato em uma ratoeira, com o pescoço quebrado - e nosso lema "Nati ad arum" escrito sobre o desenho de um pergaminho desenrolado: nascidas com o gene de vítima.

No início do livro, elas estão procurando uma casa afastada para morarem por dois motivos: o pai de Shelley abandonou-as para ficar com sua secretária e tirou praticamente todo o dinheiro delas no processo de divórcio e Shelley foi vítima de um acidente na escola, por isso não a frequenta mais e prefere ficar isolada das outras pessoas. 

Nos primeiros capítulos ficamos sabendo mais sobre o acidente no qual suas ex-melhores amigas, as JETS (sigla formada pela letra inicial do nome das meninas), estavam envolvidas. Através dos relatos de Shelley, descobrimos que o acidente na verdade não teve nada de acidental e sim foi resultado de um violento bullying que ela sofreu por um longo período. 

Após a mudança para o Chalé Madressilva, a vida das duas parece estar se acertando: elas vivem no próprio mundinho isolado que criaram para elas, onde finalmente se sentem seguras por estarem afastadas do resto da sociedade. O único contato que Shelley tem com outras pessoas é durante suas aulas com dois tutores particulares; e sua mãe, no trabalho, onde é constantemente humilhada, assediada e explorada. 

Essa aparente vida perfeita é abalada na noite da véspera do aniversário de 16 anos de Shelley, quando um ladrão invade a casa. A menina não acredita que aquilo está acontecendo, pois já sofrera o suficiente para uma vida toda e não era justo que fosse castigada sem motivos novamente. Esse sentimento de justiça que está nascendo dentro dela e os acontecimentos dessa noite provocam uma drástica mudança na vida das duas.

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Acho que é o máximo que posso falar da história sem contar mais do que devo. Minha opinião geral sobre o livro é que ele começou bem e tinha uma boa proposta ao tratar do bullying e de como pessoas mais frágeis são constantemente abusadas psicológica e fisicamente por outras e não conseguem se libertar desse abuso. Porém, não acho que a proposta foi bem desenvolvida e no meio do caminho ele ficou todo errado. Inúmeras situações foram forçadas demais e houve uma inversão de valores muito grande em alguns acontecimentos da história.

A narrativa é fluída e a escrita do autor é boa, mas não foi o tipo de livro que me deixou presa à história e com vontade de ler logo para descobrir o que aconteceria. Eu gostei de alguns trechos e de como o autor aborda essa personalidade de "rato" (até certo ponto). Como disse, acho que poderia ter sido um livro muito bom, mas como um todo ele me desagradou e incomodou muito. Porém acho que sou uma exceção, já que a sua avaliação no Skoob está bem alta e quase todas as resenhas são positivas.





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Número de páginas: 240
Autor: Gordon Reece
Editora: Intrínseca
Idioma: português 
Gênero: Literatura Estrangeira/Thriller





Sinopse: Shelley e a mãe foram maltratadas a vida inteira. Elas têm consciência disso, mas não sabem reagir - são como ratos, estão sempre entocadas e coagidas. Shelley, vítima de um longo período de bullying que culminou em um violento atentado, não frequenta a escola. Esteve perto da morte, e as cicatrizes em seu rosto a lembram disso.Ainda se refazendo do ataque e se recuperando do humilhante divórcio dos pais, ela e a mãe vivem refugiadas em um chalé afastado da cidade. Confiantes de que o pesadelo acabou, elas enfim se sentem confortáveis, entre livros, instrumentos musicais e canecas de chocolate quente junto à lareira. Mas, na noite em que Shelley completa dezesseis anos, um estranho invade a tranquilidade das duas e um sentimento é despertado na menina. Os acontecimentos que se seguem instauram o caos em tudo o que pensam e sentem em relação a elas mesmas e ao mundo que sempre as castigou. Até mesmo os ratos têm um limite.

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4 comentários

  1. Eu amo a capa deste livro e estava louca pra ler, mas resolvi o spoiler mesmo assim, pra saber da sua indignação, hahahahaha.

    Mew, como assim alguém vai fumar e acidentalmente spega fogo? HAHAHAHAHAHAHA wtf.

    Acho que vou deixar esta leitura pra depois, hahahahahahha.

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    1. A capa é muito incrível mesmo! Pena que parou por aí pra mim :(

      Então, muito absurdo hahahaha
      Tem muitas situações forçadas demais nesse livro.

      Acho melhor deixar pra beeeeem depois.... só em últimos casos mesmo, se não tiver outra coisa pra ler hahaha

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  2. Olha, a sinopse do livro parecia interessante, mas não faz meu tipo de livro, logo, fui ler sua parte com spoiler sem medo ou remorso e... Nossa, que livro doido, achei uma história completamente louca! Como assim a menina que sofria bullying e era totalmente inofensiva mata alguém?! o.O Bom, eu não conhecia o livro e depois dessa não me interesso mesmo em ler, hahaha.
    Beeeijo ♥
    http://www.daniquedisse.com.br

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    1. Tem muita coisa forçada nesse livro mesmo Dani.
      Eu fui achando que iria ser muito bom porque só tinha visto elogios, mas para mim não deu. Além de matar, ela se sente bem com isso. Algo totalmente diferente da personalidade que ela apresentava até então. Não consegui engolir a mudança do jeito que o autor mostrou.

      Hahahaha, acho que é melhor não ler mesmo, definitivamente não recomendo.

      Beijoos <3

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