Numa madrugada de 1945, em Barcelona, Daniel Sempere é levado por seu pai a um misterioso lugar no coração do centro histórico: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Lá, o menino encontra A Sombra do Vento, livro maldito que mudará o rumo de sua vida e o arrastará para um labirinto de aventuras repleto de segredos e intrigas enterrados na alma obscura da cidade, A busca por pistas do desaparecido autor do livro que o fascina transformará Daniel em um homem ao iniciá-lo no mundo do amor, do sexo e da literatura.Numa narrativa de ritmo eletrizante que mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo, Carlos Ruiz Zafón mantém o leitor em estado de contínuo suspense. Ambientada na Espanha franquista da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra, A Sombra do Vento é uma obra sedutora, comovente e impossível de largar. Uma grandiosa homenagem ao poder místico dos livros.

Número de páginas: 400
ISBN: 978-85-60280-09-4
Autor: Carlos Ruiz Zafón 
Editora: Suma das Letras
Idioma: português 
Gênero: Literatura Estrangeira/Romance/Suspense


Essa é a primeira resenha feita para o Clube do Livro Weblog, um grupo de leitura no Facebook que surgiu através de uma postagem no grupo Rotaroots. Todo mês um livro será escolhido através de votação e após discutirmos a leitura, faremos a resenha no mês seguinte. O primeiro livro ganhador foi "A Sombra do Vento" (sugestão minha, yay!), que eu já estava há um tempão querendo ler. Sempre ouvi maravilhas sobre o Carlos Ruiz Zafón e meu único contato com o autor havia sido com Marina (que virou favorito da vida ) então estava suuuuper empolgada para a leitura. Porém, acho que criei tantas, mas tantas expectativas que elas acabaram não sendo todas atendidas. 

Quando eu terminei o livro, aconteceu algo que nunca tinha acontecido comigo: não conseguia decidir se tinha gostado ou não. Depois de muito refletir, decidi que gostei rs, bastante até, só não tanto quanto eu havia imaginado. Mas ao longo da resenha explico melhor o porquê disso. 

No início do livro, o protagonista, Daniel Sempere, é uma criança que vive apenas com o pai, porque perdeu a mãe ainda muito cedo. Daniel cresceu cercado por livros, pois trabalha com o pai no sebo da família e tem por esses seres de papel grande fascinação e apreço. 


Durante a madrugada de seu aniversário de 11 anos, acorda assustado e gritando, por não conseguir mais lembrar o rosto de sua mãe. Para animá-lo um pouco, seu pai o leva ao Cemitério dos Livros esquecidos, um lugar misterioso que apenas algumas pessoas sabem da existência. Lá, Daniel é autorizado por seu pai a escolher um livro pelo qual passaria a ser o responsável. Em meio a centenas de estantes de livros que formavam um verdadeiro labirinto, ele escolhe "A Sobra do Vento", de Julián Carax.


Daniel devora o livro em apenas uma noite e fica obcecado por ele e determinado a ler mais obras do autor. Porém, logo descobre que há um grande mistério em torno de Carax e seus livros e poucas pessoas têm alguma informação sobre eles. Através de um amigo de seu pai, Barceló, Daniel fica sabendo que seu exemplar de "A Sombra do Vento" é o último existente, já que todos os outros foram queimados, assim como quase todos os livros de Julián. Ele continua intrigado e querendo saber mais sobre o escritor, até que uma noite é abordado por um homem com rosto desfigurado e cheiro de queimado, que deseja comprar o livro para queimá-lo. Se o encontro já não fosse estranho o suficiente, o homem ainda se apresenta como Laín Coubert, personagem do livro que Daniel tem em mãos.
E ele não era qualquer personagem: era o diabo. 

Daniel não entrega o livro e não desiste de descobrir o que realmente aconteceu com Carax, ficando cada vez mais envolvido ao longo dos anos com o mistério que envolve seu desaparecimento e a história da juventude do escritor. Há pessoas do passado de Julián, porém, que não estão dispostas a deixar alguns segredos serem revelados tão facilmente, o que colocará o Daniel e as pessoas próximas a ele numa teia de mentiras e grandes perigos. 

Eu demorei um pouco para "engrenar" na história do livro. A linguagem do Zafón é sempre elogiada por todos e ela me encantou profundamente em "Marina", mas em "A Sombra do Vento" achei que ela era um pouco exagerada e rebuscada demais. Claro que seu estilo de escrita é responsável por trechos lindos no livro e durante a leitura eu era a louca do post-it marcando várias passagens...mas no geral achei que tornou a história um pouco cansativa. Algumas vezes ia só passando o olho por cima, principalmente mais para o final do livro.


O que contribuiu para que eu não gostasse tanto do livro como eu pensei foi o fato de eu não ter gostado muito dos personagens, inclusive do Daniel. Achei ele meio sem gracinha e algumas atitudes dele me irritavam. Não cheguei a detestá-lo, e por vezes até simpatizei com ele, mas no geral o achei bem mais ou menos. Meu personagem preferido foi o Fermín Romero de Torres, dono das melhores falas do livro e de um carisma muito maior que do protagonista, apesar de só falar de mulher 90% do tempo. 

- Malvadas não - observou Fermín. - Imbecis, o que não é a mesma coisa. O mal pressupõe uma determinação moral, intenção e certa inteligência. O imbecil ou selvagem não pára para pensar ou raciocinar. Age por instinto, como besta de estábulo, convencido de que está fazendo o bem, de que sempre tem razão e orgulhoso de sair fodendo, desculpe, tudo aquilo que lhe parece diferente dele próprio, seja em relação à cor, credo, idioma, nacionalidade ou, como no caso de dom Federico, pelos hábitos que tem nos momentos de ócio. O que faz falta no mundo é mais gente ruim de verdade e menos espertalhões limítrofes. 

O mistério em torno de Julián começa a se desenrolar mais lá pela metade do livro e é apenas mais próximo ao final que ele começa a ser desvendado. Ao longo do livro algumas pistas são apresentadas, mas todas muito soltas e inconclusivas, que te fazem imaginar uma história diferente a cada momento. E isso não é ruim, muito pelo contrário, gosto de ser "enganada" ao longo da leitura e de criar mil possibilidades diferentes na minha cabeça que expliquem o final. E que final . Achei muito bem construído e imaginado, todas as pontas soltas da história se encaixaram maravilhosamente bem!

Apesar de alguns pequenos poréns que tive com a leitura desse livro, eu definitivamente o recomendo! Pretendo continuar lendo as outras obras do Zafón, principalmente da Coleção "O Cemitério dos Livros Esquecidos". (que comprei no Submarino em uma promoção por menos de R$ 20,00 \o/). Espero que tenham gostado da resenha e caso já tenham lido, me contem o que acharam nos comentários, que vou adorar saber 



PS: É muito injusto o autor nos apresentar um paraíso com o Cemitério dos Livros Esquecidos sem que ele exista de verdade.