Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome.
As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.



Número de páginas: 96
ISBN: 8581053041
Autor: Raphael Montes 
Editora: Suma das Letras
Idioma: português 
Gênero: Suspense/Terror


As minhas experiências anteriores com os livros do Raphael Montes não tinham sido muito boas, mas resolvi tentar de novo porque vi tantas resenhas positivas que achei que dessa vez seria diferente. Mas, os livros dele não funcionam muito bem pra mim. Acho que o problema está comigo, porque praticamente só há resenhas tecendo inúmeros elogios aos livros dele no Skoob e todos estão com a avaliação bem alta (a de "O Vilarejo" é 4.4). Talvez eu tenha criado uma expectativa muito grande antes de ler os livros, devido aos comentários/vídeos. De qualquer forma, pra ver o que eu achei e o porquê não fui super conquistada como a grande maioria dos leitores, é só continuar lendo :)

A primeira coisa que me chamou atenção foi o visual do livro que está muito incrível! Eu li a versão em ebook, mas vi em vídeos como ele é por dentro e achei muito lindo e caprichado. A premissa também me pareceu muito boa: um vilarejo isolado, com poucos moradores, sofrendo com a neve e a falta de recursos...um cenário ideal para uma boa história de terror. Eu sou medrosa pra caramba, mas apesar disso fico curiosa com livros de terror e demorei um pouquinho para começar esse porque fiquei com receio de ser muito assustador. 

A história começa com o próprio Raphael Montes sendo personagem do livro. Ele conta que havia recebido a ligação do sócio de um sebo localizado no Rio de Janeiro, oferecendo cadernos de uma senhora chamada Elfrida Pimminstoffer, que havia falecido. Os cadernos vieram junto a uma coleção de livros vendidas a ele por sua neta Ana, que ao ser contactada para a devolução dos cadernos, alegou que não os queria de forma alguma, ameaçando até queimá-los caso fossem devolvidos. 

Depois de estudar os cadernos, Raphael descobre que eles estavam escritos em cimério, uma língua morta, e faziam referência a um padre demonologista que havia classificado, em 1589, os demônios de acordo com os sete pecados capitais: Asmodeus (luxúria), Belzebu (gula), Mammon (ganância), Belphegor (preguiça), Satan (ira), Leviathan (inveja) e Lúcifer (soberba). Ele entra em contato com o único estudioso desse idioma no mundo, convidando-o a traduzir os texto, mas tem sua proposta negada e o professor ainda sugere que ele descarte os cadernos. 

Intrigado por todo o mistério que envolve os cadernos de Elfrida, Montes resolve traduzi-los por conta própria, o que resulta nos contos do livro. Esses contos são independentes, mas possuem certa ligação entre si, com personagens em comum e acontecimentos interligados. O título de cada um deles é uma das denominações dos demônios e a história diz respeito ao pecado capital que ele desperta. O primeiro conto, "Belzebu", mostra o vilarejo já totalmente devastado pela neve e pela miséria. O final desse conto é surpreendente e trágico e nos contos que se seguem, são apresentados os acontecimentos que levaram a esse drástico resultado. 

Eu vi algumas pessoas falando que o livro mostrava como pessoas normais em determinadas situações acabam cedendo ao seu lado sombrio e são capazes de agir de maneira imprevisível e cruel. Mas achei os contos muito curtos e para mim faltou um pouco de justificativa/motivação para o comportamento de alguns personagens. Não consegui sentir a "lenta degradação" dos moradores que fala a sinopse. Poucos acontecimentos foram tão extremos a ponto de fundamentar as atitudes perversas dos personagens. 

O mal já estava lá. Eu apenas o potencializei. (...) Humanos vivem carregados de uma crueldade sufocada. 

Acho que a história não conseguiu ser muito bem explorada na forma de contos. Se tivesse sido escrita como um romance, desenvolvendo melhor os personagens, sua personalidade e, em alguns casos, as dificuldades e privações pelas quais passaram que culminaram nas atrocidades cometidas, acho que seria mais convincente. Tudo acontece tão rapidamente que não dá tempo de se envolver de verdade com o que está sendo narrado. 

Não achei o livro assustador, acho que o terror está mais na violência explícita usada para dar o clímax em grande parte dos contos. Gostei do final, achei que ficou bem fechadinho e foi uma boa conclusão. O autor sempre gosta de colocar alguma surpresa no final de seus livros e essa foi a que eu achei melhor. 

É um livro bem curtinho e rápido de ler, demorei menos de duas horas. E como não sou muito parâmetro para os livros do Raphael Montes, acho melhor que cada um leia e tire sua própria conclusão.