Uma impressionante técnica de recuperação e clonagem de DNA de seres pré-históricos foi descoberta. Finalmente, uma das maiores fantasias da mente humana, algo que parecia impossível, tornou-se realidade. Agora, criaturas extintas há eras podem ser vistas de perto, para o fascínio e o encantamento do público. Até que algo sai do controle. Em Jurassic Park, escrito em 1990 por Michael Crichton, questões de bioética e a teoria do caos funcionam como pano de fundo para uma trama de aventura e luta pela sobrevivência. O livro inspirou o filme homônimo de 1993, dirigido por Steven Spielberg, uma das maiores bilheterias do cinema de todos os tempos.

Número de páginas: 528 
ISBN: 978-85-7657-215-2
Autor:   Michael Crichton
Editora: Aleph
Tradutora: Marcia Men
Idioma: português 
Gênero: Ficção Científica


Já vou começar falando o quanto amei esse livro. Eu me arrependi muito de não ter comprado logo que lançou porque tinha prometido para mim mesma que não compraria mais nenhum livro até ler os que eu já tenho. Mas já descumpri a promessa mais algumas vezes depois dessa rs.
Jurassic Park é um dos meus filmes preferidos da vida. Depois de assisti-lo, meu sonho era ser paleontóloga e descobrir fósseis de dinossauros (mas me formei em computação </3). Há uns dois anos, levei meus priminhos no Sabina e tinha uma exposição de dinossauros com uma atração para escavar os fósseis. Adivinhem quem foi lá brincar?! Eu achava o filme sensacional e tinha muita vontade de viver aquelas cenas, principalmente a do carro (sem a parte ser comida pelos dinossauros obviamente). Não sei o quanto esse amor pelo filme me influenciou na hora de ler o livro, mas vamos para a resenha ;)

O livro começa nos contextualizando das mudanças e avanços do setor da biotecnologia no final do século 21. E no meio dessa corrida para alcançar o sucesso científico, estava a International Genetic Technologies, Inc. (InGen), uma ambiciosa empresa que esteve envolvida em um incidente sigiloso em uma Ilha da Costa Rica antes de declarar falência. E é durante esse episódio que se desenrola a história (aquela tão conhecida do filme).

Antes dos fatos principais acontecerem, estavam sendo relatados ataques de animais semelhantes a lagartos em alguns locais da Costa Rica perto de onde um enorme empreendimento da InGen estava sendo construído, além de constantes e misteriosos acidentes na obra. Nenhuma investigação muito profunda estava sendo feita acerca do caso, até que parte de um suposto lagarto foi encontrada e após algumas análises, começou-se a suspeitar que poderia ser uma espécie de dinossauro, apesar dessa hipótese parecer um pouco absurda. 

O médico que estava acompanhando o caso de um ataque a uma garotinha americana resolve entrar em contato com o experiente e conhecido paleontólogo Alan Grant para pedir sua opinião sobre o animal, ou o que havia sobrado dele. Grant vê a radiografia do "lagarto" e o reconhece como um dinossauro chamado ProcompsognathusPorém, antes de investigar o provável dinossauro recém descoberto mais profundamente, ele recebe uma ligação de John Hammond, um milionário idoso que patrocinava as escavações de Grant e sua equipe. Hammond in$i$te para que Grant e sua colega de trabalho e aluna, a dra. Ellie Sattler, passem dois dias em uma reserva biológica que sua empresa está construindo na Ilha Nublar

John espera que os dois e mais alguns consultores que irão participar da visita deem uma opinião favorável a respeito da reserva para que ela possa ser aberta ao público, já que os consultores financeiros da InGen estavam desconfiando de todo o mistério que envolvia a sua construção, o que poderia ser uma grande ameaça ao funcionamento do parque. Os demais convidados eram o matemático Ian Malcolm, o programador dos sistemas do parque Dennis Nedry, o consultor da InGen, Donald Gennaro (único a saber realmente do que se tratava a ilha) e os netos de Hammond, Lex e Timmy. Apenas quando eles chegam à ilha, descobrem que se trata do Parque dos Dinossauros.


Enquanto os visitantes estão passeando pelo parque e conhecendo os dinossauros, Nedry sabota o sistema de segurança para conseguir roubar embriões de dinossauros e vendê-los para a empresa concorrente da InGen. E é a partir daí que uma série de eventos catastróficos começam a acontecer na ilha. 


O livro é diferente do filme em vários aspectos, como não podia deixar de ser, já que é um livro extenso e impossível de ser reproduzido na íntegra na adaptação. Mas achei que a essência da história foi muito bem retratada no filme, já que o próprio autor ajudou na adaptação do roteiro para o cinema. As principais cenas aparecem no filme, mas algumas vezes com os personagens trocados. O livro também é mais forte em relação ao filme e os ataques dos dinossauros são retratados de uma maneira mais crua e "realista", descrevendo com detalhes os ferimentos e as mortes causadas por eles.  

(...) tropeçou, estendendo a mão às cegas para baixo para tocar a borda rasgada da camisa, depois uma massa grossa e escorregadia que estava surpreendentemente quente, e, com horror, ele soube que estava segurando os próprios intestinos com as mãos. O dinossauro o abrira em dois com um rasgão. Suas entranhas tinham caído para fora. 

Uma mudança bem grande foi a personagem Lex, que no livro é uma criança insuportável. Os meus personagens preferidos foram o Grant e o Timmy, que é bem mais legal que no filme. Fiquei meio indecisa sobre o Ian, porque em algumas partes ele falava coisas muito interessantes, responsáveis pela maioria das minhas marcações no livro, e em outras ele era meio chato e repetitivo sobre a Teoria do Caos. Acho que o personagem que eu mais detestei foi o Hammond, que no filme parece um velhinho razoavelmente bonzinho, apesar de um tanto excêntrico. No livro ele é totalmente controlador, egoísta, joga a culpa em todo mundo, se acha perfeito e só liga para o próprio bem-estar, mal lembrando que os netos estão correndo perigo. Fiquei um pouco decepcionada com a Ellie também, que tem bem pouca importância e destaque na história. 

No início, o livro é um pouco mais "parado", com muitos diálogos entre os personagens e explicações mais teóricas sobre a construção do parque e os dinossauros. Eu gostei bastante desse lado mais explicativo, porque além de ensinar um pouco mais sobre esses animais fascinantes, ainda ajuda a dar mais credibilidade à história, quase levando a crer que o que foi retratado pudesse de fato ser reproduzido pela ciência. O ritmo da história vai se intensificando conforme a situação do parque vai ficando cada vez mais caótica, fazendo com que você não queira mais largar o livro até o final.

O autor também traz vários questionamentos, na voz do Ian, sobre o progresso científico e o quanto realmente estamos avançando e que preço estamos pagando por isso.

(...) a ciência é o sistema de crenças que tem centenas de anos. E, assim como o sistema medieval antes dele, a ciência começa a não se encaixar mais no mundo. A ciência obteve tanto poder que seus limites práticos começam a ficar aparentes. Principalmente por meio da ciência, bilhões de nós vivemos em um mundo pequeno, densamente carregado e nos intercomunicando. Mas a ciência não consegue nos ajudar a decidir o que fazer com esse mundo, ou como viver. A ciência consegue construir um reator nuclear, mas não consegue nos dizer para não construir um. A ciência consegue produzir pesticidas, mas não consegue nos dizer para não os utilizar. E nosso mundo começa a parecer poluído de formas fundamentais, ar e água e terra, por causa da ciência ingovernável.

Mas, a melhor parte de todas foi o fato dos velociraptores (acho super estranho essa palavra, mas no livro está assim) bebês serem dóceis e gostarem de contato humano e carinho. Sério, como resistir a um bebê velociraptor pulando no seu colo?! ♥ ♥ 


O livro é muito lindo, a Aleph tá de parabéns! Adorei a capa e as bordas vermelhas das folhas, combinou bastante. Eu só acho que poderia ter orelhas, porque capas escuras estragam ainda mais facilmente nas pontinhas e isso iria ajudar a proteger um pouco. Dentro do livro também há alguns detalhes e páginas pretas separando as diferentes iterações em que a história é dividida. 




Bom, acho que depois de tudo que eu escrevi nem preciso dizer que recomendo muito a leitura, né?!