Eu demorei muito tempo para decidir escrever de verdade esse texto, assim como demorei muito para finalmente aceitar que eu não estava bem psicologicamente e buscar ajuda. 
As coisas foram começando devagar e sempre achava que era só um dia ruim e iria passar. Só que nunca passava. Por muito tempo achei que era fraqueza da minha parte ou que eu tinha me tornado uma pessoa preguiçosa e desinteressada pelas coisas. E de fato o desinteresse estava ali...em tudo. As coisas que antes eram prazerosas para mim, passaram a não me dar prazer nenhum. Tudo que eu sentia era um vazio enorme. Nada mais parecia ter graça ou me deixar feliz de verdade. Apesar de que dificilmente qualquer pessoa perceberia isso. Já que quase sempre estou rindo e conversando normalmente. Mas isso exige um esforço enorme. Não vou falar que eu nunca consigo me sentir bem ou me divertir. Isso acontece. Mas dura pouco e logo já começo a ficar ansiosa, agitada, o ar se torna pesado e difícil de ser respirado...mas continuo o que eu estou fazendo normalmente. Eu fiquei boa em usar uma "máscara social". Até por isso foi difícil para eu admitir para mim mesma que não estava bem. Afinal eu continuava fazendo as minhas atividades rotineiras, saindo de vez em quando. Só podia ser frescura da minha parte. 


Número de Páginas: 238
Editora: Record
Idioma: Português
Autor: Tess Gerritsen
Tradução: Márcio El-Jaick

Livro recebido em parceria com o Grupo Editorial Record



Sinopse: No ambiente frio e sombrio de um antiquário em Roma, a violinista americana Julia Ansdell depara com uma partitura intrigante — a valsa Incendio — e é imediatamente atraída pela peculiar composição. Carregada de paixão, tormento e de uma beleza arrepiante — e aparentemente inédita aos olhos do mundo —, a valsa com seu tom menor fúnebre e seus arpejos febris parece ter vida própria. Determinada a dominar a obra complexa, Julia decide ser o instrumento que fará com que sua melodia seja ouvida.
Já de volta à Boston, no instante em que o arco de Julia começa a ser deslocado pelas cordas do violino, desenhando no ar aquelas notas intensas, algo sinistro é despertado — e a vida de Julia fica sob ameaça iminente. A música parece exercer um efeito inexplicável e macabro sobre sua filha pequena, que se mostra drasticamente transformada. Convencida de que a melodia hipnótica de Incêndio está desencadeando uma maldição, Julia decide investigar a história por trás da partitura e encontrar a pessoa que a compôs. Suas buscas a levam à milenar cidade de Veneza, onde Julia descobre um segredo sinistro de várias décadas envolvendo uma família perigosamente poderosa que fará de tudo para impedir que ela revele a verdade ao mundo — custe o que custar.
Eu imaginava que esse livro seria um romance policial, mas não me perguntem o porquê cheguei a essa conclusão, já que a sinopse não dá a entender isso. Talvez seja por conta do outro livro que li da autora, O Cirurgião. Mas mesmo sendo um pouco diferente do que eu esperava, esse livro me prendeu do começo ao fim. Na contracapa, há uma citação que diz "Eu desafio você a ler o primeiro capítulo e não chamuscar os dedos enquanto lê o restante." e de fato a história já me ganhou no primeiro capítulo.


Esse foi um ano de boas leituras no geral, mas sempre tem uma ou outra decepção no meio....então resolvi compartilhar quais foram as minhas. 


Ratos - Gordon Reece

Já fiz resenha (e desabafo) aqui, então não vou me alongar muito nos comentários. Mas estava com uma expectativa muito grande pra esse livro e ele acabou sendo bem diferente do que eu imaginava e trazendo uma mensagem, que na minha opinião, foi ruim. 


Número de Páginas: 223
Editora: Verus
Idioma: Português
Autor: Ali Benjamin
Tradução: Cecília Camargo Bartalotti


Livro recebido em parceria com o Grupo Editorial Record



Suzy Swanson, uma estudante do sétimo ano, passou por um acontecimento que é extremamente difícil até para adultos enfrentarem: a morte de sua ex-melhor amiga de infância, Franny Jackson. Poucos dias após o ocorrido, chamado por Suzy de a Pior Coisa, ela acaba se fechando e adotando o modo não-falar, motivada também pela culpa que sentia por coisas que tinha falado e feito antes da morte de Franny. 
"O que não é recusar-se a falar, como todo mundo acha que é. É só decidir não encher o mundo de palavras se não for necessário. É o oposto da fala-contínua, que é o que eu costumava fazer, e é melhor do que o falar-à-toa, que é o que as pessoas queriam que eu fizesse."

Elas se conheceram ainda bem novinhas em uma aula de natação e por saber como Franny era uma excelente nadadora, Suzy se recusa a acreditar que ela tenha morrido afogada. Em uma visita com a escola a um aquário, ela descobre sobre a existência de uma água-viva minúscula e quase imperceptível, mas praticamente letal, a irukandji. Convencida de ter descoberto a verdadeira causa da morte de Franny, Suzy começa a estudar mais sobre as águas-vivas e buscar meios de encontrar as respostas que precisa.
Achei esse livro muito sensível e amorzinho e fiquei apaixonada pela narrativa da autora, que conquista pela sua simplicidade, mas que mesmo assim consegue ser profunda e tocante. Mesmo sendo um livro mais infanto-juvenil e com uma protagonista pré-adolescente, acho que não tem idade para se sentir envolvido com a história de Suzy.

Sempre gostei muito de biologia, então adorei todas as informações sobre as águas-vivas que o livro trouxe. Gosto muito de histórias com esse toque "científico", em que aprendemos durante a leitura, como em Jurassic Park. Também achei muito legal que a história foi divida e organizada como se fossem partes de um relatório.

"Os mares estão se aquecendo, o que é terrível para quase todo mundo. Também estão ficando cheios de produtos químicos. Enormes áreas dos oceanos hoje não têm oxigênio suficiente. Mas as águas-vivas adoram um oceano quente, os produtos químicos não as prejudicam nem um pouco, e elas carregam todo o oxigênio de que precisam dentro de seu próprio corpo aquoso."
Eu me apeguei muito à Suzy e me vi nela na época de escola, em relação a se sentir diferente e deslocada pela pessoa que você é pelos gostos que tem (na verdade me sinto um pouco até hoje). Aos poucos vamos descobrindo porque ela e Franny deixaram de ser amigas e acho que essa foi a parte mais triste e com a carga emocional mais pesada pra mim. Principalmente por sabermos que não haveria uma maneira de consertar as coisas. 

Uma coisa que gostei bastante é que Suzy tem um irmão gay que mora com o namorado e isso é tratado com bastante naturalidade no livro. Tinha comentado faz pouco tempo aqui que sinto falta de livros que abordem a temática LGBT sem fazer dela a grande problemática do livro. Os dois estão na história cumprindo seu papel de família da Suzy e toda interação deles com a menina ou com a mãe acontece da mesma forma que seria com um casal heterossexual, como realmente deveria ser sempre. 

Mesmo que o livro tenha um tom triste, ele não te deixa pra baixo durante a leitura e dá até um calorzinho no coração no final. Ah, e só mais uma consideração: acho que se as pessoas adotassem o não-falar de vez em quando, o mundo seria um lugar bem melhor.

"Se as pessoas ficassem em silêncio, poderiam ouvir melhor o barulho de sua própria vida. Se as pessoas ficassem em silêncio, o que elas falassem, quando escolhessem falar, se tornaria mais importante. Se as pessoas ficassem em silêncio, poderiam ler os sinais umas das outras, do modo como criaturas submarinas piscam luzes entre si, ou fazer sua pela assumir diferentes cores."

Achei a arte e as cores da capa muito bonitas e a edição, apesar de simples, está caprichada e com detalhes fofinhos.